segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Pescadores do Inconsciente



É impressionante o desafio de um bebê  desde que é arrancado de sua confortável vida intra-uterina e se vê separado daquilo que considerava sua única existência. Seu pequeno cérebro não consegue conceber ainda a ideia de separação e a única coisa que ele pode fazer é expressar pelo choro o seu desespero.

Aos poucos ele compreende que a mãe é um ser separado dele, mas não entende porque ora ela atende seus desejos e hora lhe nega, como se fossem duas mães diferentes, uma que lhe causa prazer e outra que lhe causa dor e ódio. Seu pequeno cérebro aos poucos vai desenvolvendo a capacidade de lidar com a dualidade, mas tem ainda que lidar com este “cara” que lhe rouba a sua mãe o tempo todo. Mais uma vez ele vai se acostumando e acha o cara até interessante, embora tão diferente daquilo que ele considerava como sendo seu universo materno.  

Assim o pequeno bebê vai crescendo em um mundo sempre lhe cobrando uma adaptação, as vezes de forma violenta, as vezes de forma suave. Quando chega a época de ir para a escola, então o choque é maior ainda, porque seu pequeno mundo de pais e irmãos, explode em uma diversidade incompreensível que ele tem que aprender a lidar e cujas regras de convivência anteriormente aprendidas são muitas vezes ineficientes.

Quantos traumas podem surgir em todos estes períodos de adaptação. Os pais também estão resolvendo seus dramas internos e muitas vezes não se dão conta de quanto eles estão agredindo o universo do pequeno ser. Os  irmãos não estão nem ai para os dramas inconscientes uns dos outros, pois estão buscando a própria sobrevivência neste mar de incertezas, e os colegas também são náufragos inconscientes que lutam ferozmente e agridem a quem se aproxime. Quantos problemas pequenos e grandes guardamos em nosso inconsciente, quanta coisa não resolvida. Os Médicos veem como trauma apenas aquilo que foge muito da normalidade, mas penso que todos carregamos conosco uma infinidade de problemas não resolvidos e para enfrenta-los precisaremos alcançar a "maturidade" emocional.

Hoje vi uma reportagem sobre Buling, que também se enquadra neste tema que estamos analisando, porque pode ser uma outra forma de revelar ou criar traumas.

Aquele que sofre com o buling está deixando vir a tona uma magoa ou ressentimento guardado em seu inconsciente, um julgamento ou uma insatisfação pessoal que o outro explicita. Se ele se aceitasse com suas diferenças, não seria tão afetado pelas brincadeiras de mau gosto alheia. Mas ao mesmo tempo que o buling revela a crueldade daquele que humilha o outro, também revela as suas próprias dificuldades de lidar com o diferente, mostrando seu questionamento interior que é também trazido a tona pela diferença que o outro expressa, como algo que ele tenta negar e esconder.

Parece que no fundo pelo menos de louco, todos temos um pouco,

O mundo traz a tona nossos traumas, nossos problemas não resolvidos que tentamos em vão jogar para debaixo do tapete, ou melhor para o nosso "mar do inconsciente".

Conforme a Visão de Jung, somos todos navegantes neste imenso oceano do inconsciente, com nossos pequenos barquinhos, que é a nossa consciência. Somos pescadores buscando os "peixes" no mar sem fim trazendo para o barco na superfície  para digerir e compreender. Mas alguns peixes são muito grandes e difíceis e podem nos levar para o fundo.

Por outro lado, a medida que conseguimos lidar com os peixes indigestos, o próprio barco aumenta de tamanho, nos permitindo então digerir peixes ainda maiores. Com barcos maiores podemos então navegar em alto mar, e então aprender a mergulhar  profundamente e ir ao encontro destes peixes que habitam as regiões mais profundas. Assim, com nossa capacidade analítica como arpões afiados, nos tornamos então habilidosos em pesca  submarina, compreendendo melhor quem somos e  porque estamos aqui e para onde estamos indo.

Então, finalmente, podemos abrir sem medo nossa caixa de Pandora.

Então veremos que está tudo lá, tudo o que somos, todo o que gostamos ou odiamos, nossos medos, alegrias, glorias, forças e fraquezas, manias, certezas e incertezas. Os traços da nossa Personalidade foram construídos com as essências destes frascos, ou melhor, com as experiencias e influencias proporcionadas pelo meio em contato com aquilo que já tínhamos guardado dentro de nós. E não poderia ser diferente, porque nascemos como uma folha em branco e o mundo escreveu aquilo que somos.

Mas então, como explicar que as mesmas experiencias podem causar reações inversas em diferentes pessoas?  Como explicar que um pai ou uma mãe agressores pode despertar depressão em um filho e garra e  determinação em outro, Como explicar que um pai fumante pode fazer alguns filhos viciados e outros que nunca tocarão no cigarro, como explicar  tantas diversidades de reações em seres que vivenciaram a mesma experiencia e até mesmo irmãos gêmeos que se diferenciam totalmente embora vivendo o mesmo meio ?

Uma das diferença da visão de Jung e seu Professor, Freud, é que ao contrário de Freud, Jung mergulhou mais fundo neste mar do inconsciente e penetrou em uma região que transcende os limites das experiencias conhecidas pela consciência vivente.  Então ele nos trouxe a visão do inconsciente coletivo, como um oceano infinito que comunica toda a humanidade e com o Universo inteiro.

Penetrar em suas próprias profundezas significaria então penetrar na consciência coletiva. Resolver seus próprios enigmas significaria então ajudar a purificar o oceano humano. Ajudar o outro em seus traumas significaria ajudar a resolver seu próprio problema.

Vivemos uma era muito especial em que o brilho de uma luz intensa incentiva a busca pela verdade escondida e guardada por séculos. As represas estão rompendo e a lama represada por séculos está sendo revolvida, revelando segredos do fundo das mentes, dos corações e das instituições, a verdade enfim está sendo revelada.

Este resolver-se é como um despertar, como o sol da manha que brilha gradativamente e nos abre os olhos lentamente. E uma vez acordados, queremos acordar os demais para que vejam a luz do lindo dia.

Vejo anjos de luz, de mãos dadas em uma grande corrente acordando uns aos outros,
Anjos de luz, como milhares de pirilampos iluminando a noite escura despertando almas pelo seu brilho doce e meigo,
Anjos de luz  mensageiros do grande Sol que brilha,
Anjos de luz cuja noite não mais amedronta,
Nunca vi tantos anjos de mão dada,
Nunca vi tanta luz e beleza sobre esta noite escura,
Que coisa linda será o amanhecer quando todos abrirem seus olhos para realidade bela,

Mas para participar deste novo dia é preciso despertar do sono dos séculos.

Acorda irmão, e desperta os outros irmãos pela tua simplicidade, pela tua paz, pela tua fé e pelo teu exemplo.


Boa noite,

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Por um mundo mais leve



#Leveconsciencia

Leve consigo a paz e o amor,
Leve dentro de voce onde você for,
Leve em suas palavras
Leve em seus atos
Leve em seus relacionamentos
Leve nos conflitos
Leve no sofrimento

Leveconsciencia
levesimplicidade
Levealegria
Leveharmonia
Leveverdade
Levegentileza
Leveesperanca
Levecortesia
Levecompreensao
Levehonestidade
Leveeducacao
Levesaude
Leveuniao
Levediscernimento
Levereflexao
Levesentimento
Leverespeito a diversidade
Leve meu amor
Leve carinho
Leve gratidao
Leve paz

Mas guarde também contigo no seu coração...


Acrescente algo leve e leve adiante.

Leve a todos, mas leve com leveza para que cada um possa escolher e aceitar livremente  seguir este caminho de libertação e beleza.

Leveconsciencia.blogspot.com

domingo, 15 de novembro de 2015

As experiências nos levam a enxergar quem somos


Penso que a vida é uma experiência para nos fazer enxergar quem somos, e quem somos está encoberto por crenças e valores que geram sentimentos diversos, as vezes confundindo nossa visão.

Talvez por isso quem se aproxime de nós evidencie nossas diferenças pelo contraste,  nos levando a reflexão . Nossos Sentimentos revelam os valores que atribuímos aos fatos e coisas, que por sua vez revelam nosso grau de miopia ou esclarecimento.

Avaliamos o mundo e as pessoas que nos cercam através destes valores, em uma especie de julgamento. Não importa quais sejam estes valores, sabemos que sempre serão limitados e certamente nosso julgamento sempre será imperfeito. Isso porque o fiel da balança nos fala de isenção. Se quisermos compreender a justiça teremos que aceitar que as causas se transformem em efeitos, sem qualquer interferência sobre elas, qualquer atribuição de valor é injusta.

Ausência de julgamento seria então a grande sabedoria, difícil de ser alcançada, a menos que se desperte dentro de si mesmo a consciência da unidade das coisas.  Quando lemos a carta de Paulo aos Corintios falando sobre o amor, nos damos conta que esta ausência de Julgamento é o próprio amor universal, uma percepção de que somos únicos, mas também somos um todo indivisível.

Julgar é deixar seus valores pessoais avaliar a situação do outro, afetando sua percepção, é perder a oportunidade de ouvir, sentir e ver a verdade das coisas que é isenta de valor. O Julgamento vem do nosso interior, daquilo que experimentamos e vivenciamos de acordo com nossas crenças e valores anteriores. Seremos sempre realimentados por estes valores internos, onde a experiencia de hoje é pesada e medida pelo resultado das experiencias passadas nos tornando assim escravos de nossas próprias crenças, a menos que sejamos capazes de esvaziar a taça da mente e do coração.  "..Largue tudo que possuis e me Siga", "..O cálice que deverá ser derramado por todos os homens para o perdão dos pecados" Jesus Cristo.

Curioso que queremos ver o "invisível", ouvir o "inaliável", compreender o incompreensível. Certamente que não será  nem com os olhos, com os ouvidos ou com a razão.

Não é o que se vê, mas o que se sente,
Não é o que se ouve, mas o que se percebe no silencio,
Não é o que se ganha ou o que se enche, mas o que se esvazia.

Algo de mágico acontece na simplicidade do natural que não tem explicação...

João Sérgio.


sábado, 7 de novembro de 2015

Abelhas do invisivel



Estive pensando que somos pequenas partículas e carregamos valores do Uno Diverso.

Como disse Reich, somos abelhas do invisível loucamente levando o mel do invisível para o visível.

Nossas diferenças fazem a diversidade, e a vida se completa pelos relacionamentos entre os diferentes que se atraem pelo que o outro tem que lhe falta.

Observamos o mundo do nosso privilegiado e único ponto de vista e desejamos  compartilhar nossos valores com os demais de forma justa e equilibrada para conquistar parte de suas visões também únicas,  e assim nos completar em busca da unidade perdida.

Temos moedas valiosas que precisam ser descobertas e utilizadas  para continuarmos a participar deste jogo de trocas infinitas, e teremos maior sucesso se compreendermos a lei do equilíbrio que rege todo o universo.

No jogo da vida vemos pedras pretas e pedras brancas no tabuleiro, como se fosse possível separar o joio do trigo.

A forca que destrói é a mesma que constrói, o que separa é o que une, o que gera a cobiça é o que mantém a roda do progresso em movimento.

Sem a competição e o desejo de alcançar algo previamente vivenciado por outro, permaneceríamos na depressão da sarjeta. Mas como ainda não temos a sabedoria da simplicidade, surgem os sentimentos conflitantes como  paixão, ódio, inveja  ciume e tantos outros que embaçam nossa percepção.

A mesma força que gera o progresso leva a ambição, a cobiça e a inveja.

Somente os Iluminados pela unificação das realidades opostas estão fora do alcance  da dualidade do bem e do mal.

Como disse a Lisana, Mestre em numerologia, somos humanos e muito distantes ainda desta Unidade Pacificadora.

Mas já conseguimos ver os dois lados dentro e fora de nós se digladiando para vencer uma luta inexistente.

Resta-nos unifica-los.

Quando colocamos um alimento na boca, nossas papilas degustativas separam o doce do amargo, o azedo do salgado... e sentimos a diversidade do paladar.

Nossos olhos cerebrais separam a luz em espectro de cores e vemos o vermelho, o amarelo,  o verde, o azul...e a realidade se mostra em uma diversidade de cores e formas.

Nossos ouvidos cerebrais separam as vibrações e ouvimos o agudo, o grave o médio... e criamos uma diversidade de sons e melodias.

Então nossa mente atribui valores para cada uma destas experiências, medindo, pesando e armazenando para não perde-las.

Mas onde Guarda-las se só existem dois compartimentos cerebrais, o da esquerda e o da direita?

Então somos levados a separar e qualificar as experiencias em boas boas ou más,  fortes ou fracas, altos ou baixos, cheirosos ou fedorentos, bonitos ou feios, gostosos ou ruins, agradáveis ou desagradáveis, dentro ou fora, amigo ou inimigo..., e assim por diante, criando mundos que se contrapõem.

Como computadores, operamos com a linguagem binária de "zero ou um", mas nos comunicamos através da linguagem decimal, ambas limitadoras da diversidade.

Cada um de nos é um ponto único de uma matriz de combinações infinitas, e faz estas separações de forma diferente criando um mundo particular, uma visão única do universo.

Buscamos ao mesmo tempo esta imparidade que nos separa e a unidade que nos reconcilia.

E enquanto criamos nosso próprio mel, com cheiro, textura, cor e sabor diferenciados,  queremos provar o mel  das outras abelhas, porque somente a imparidade não nos apetece, pois somos ao mesmo tempo a abelha e a colmeia.


João Sérgio



O fruto da vida

Acreditamos que Deus é todo poder, todo amor, toda verdade, toda justiça e toda harmonia, não é mesmo. Queremos manifestar sua grandio...