segunda-feira, 26 de novembro de 2018

O fruto da vida


Acreditamos que Deus é todo poder, todo amor, toda verdade, toda justiça e toda harmonia, não é mesmo.

Queremos manifestar sua grandiosidade em nós e encontrar o lugar secreto do altíssimo.

Muitos acreditam que isso possa acontecer como um passe de mágica pela influência de um ser de luz.

Mesmo que isso pudesse acontecer será que estaríamos preparados para reconhecer a graça desta iluminação ?

Como podemos abrigar sentimentos do mais puro amor quando estamos ainda lutando pela nossa própria sobrevivência e competindo com os demais a qualquer preço?

Como podemos abrigar a presença da Justiça em nós se nossa concepção de justiça está focada em nossos direitos e distanciada de nossos deveres?

Como podemos conceber e reconhecer a verdade se buscamos sempre uma forma de ludibria-la com falsidades e improvisos ? A verdade é firme e precisa como a espada que sustenta a justiça.

Como podemos reconhecer a harmonia se quebramos as leis que sustentam o cosmo e as relações humanas apenas para satisfazer nossas necessidades e interesses pessoais.

Para encontrar a verdade precisamos de coragem para trilhar um caminho estreito e espinhoso.

E só doí assim porque o rejeitamos e tememos e lutamos contra aquilo que quer nos ensinar algo de bom.

Mas quando nos tornamos adeptos da justiça e do amor percebemos que o natural mesmo e esta estreiteza do fio da navalha que une os opostos quase em abraço eterno.

A razão de tudo isso é o nosso egoísmo,
Nosso apego a nós mesmos e as nossas necessidades.

Isso é muito compreensível, até que se tenha tenha o entendimento de que somos uma grande colmeia e que a vida da colmeia é mais sábia e grandiosa que da pequenina abelha.

E falando de abelha, estava observando uma pequena abelha em uma flor quando me dei conta da beleza da flor e passei a admira-la. Então vi que ela se sustentava em um pequeno e fino pendão e descendo observei o galho. Então percebi que ele se derivava de um outro ganho mais forte que vinha do tronco. Desci até o tronco e me admirei de sua firmeza e robustez e vi as poderosas raízes que o sustentam...

No chão estavam o frutos caídos da árvore demonstrando que toda as firmeza se multiplica através da beleza e suavidade da flor, produzindo o fruto da vida que se perpetua...


sexta-feira, 16 de novembro de 2018

A verdade da muito trabalho

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O preguiçoso jamais a encontrará porque não tem disposição nem interesse para trabalhar arduamente revirando os detalhes e fazendo pesquisas para encontra-la, nem conferir os fatos para verificar sua origem e veracidade, isso dá muito trabalho só de pensar.... É mais fácil acreditar em tudo que lhe dizem... Por isso se contentará com suas ilusões e falsas informações e viverá em um mundo fantasioso e fora da realidade.


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O temperamental jamais a terá. Aquele que não tem paciência e tolerância com os demais não a conhecerá porque os relacionamentos humanos apesar de complicados e difíceis são excelentes  formas de fazer as verdades escondidas no coração vir a tona. Os conflitos e disputas o aborrecem e ele não tem disposição para ouvir quem discorda dele e simplesmente bate a porta e deixa todo mundo falando sozinho e fica com sua própria verdade que nunca poderá ser questionada por ninguém.  E por isso mesmo sua compreensão  da vida será sempre imperfeita, levando-o muitas vezes  a  viver uma vida solitária.


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O manipulador sempre estará distante dela. Quem manipula os sentimentos alheios e  trai a confiança daqueles a quem ama e cria situações ardilosas para conquistar tudo que deseja mesmo que seja a custa do sofrimento alheio, este então está bem distante da verdade, embora viva estudando e pesquisando e pode até possuir muito conhecimento mas pouca sabedoria e vive uma vida de mentiras.  Acha que sabe de tudo,  e ainda se envaidece pelo seu saber e astúcia.  Pobre coitado...

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O autoritário jamais a terá embora  se julgue dono dela. Quem gosta de impor suas verdades aos outros, de forma arrogante e impulsiva e se considera superior aos demais não conhece a verdade porque o outro é que teria a parte que lhe falta da verdade, mas ele não quer ouvir pois se julga muito superior.  Como podemos encontrar aquilo que acreditamos que já temos ?

Mas a verdade não é algo que se alcança e sim algo que se persegue a vida toda. Aquele que julga que a encontrou começa a se distanciar dela...


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Agora que voce acordou

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Que bom que você está acordando  para uma nova realidade!  Agora você começa a perceber que as atitudes egoístas, comuns para a maioria das  pessoas, na verdade  são prejudicais ao meio ambiente, a saúde   física e mental  e são  os causadores do sofrimento e confusão em que vive a humanidade.

Você pode romper com a sociedade e viver em um mundo perfeito, criando um muro para se proteger dos que continuam fazendo as coisas do mesmo jeito. Mas isso não resolve o problema de bilhões de seres que vivem na ignorância, e  de alguma forma seus hábitos nocivos vão afetar a você também.
Cuidado com os rompimentos porque eles trazem dor e sofrimento, muito mais do que melhorias. Para  envergar o bambu é preciso cuidado para não romper... A natureza não dá saltos... Mudar hábitos antigos requer tempo.

Muitos já fizerem e continuam a fazer isso e não deu certo. Olhe a história da humanidade, onde as guerras santas mataram mais que a ambição desenfreada.

Você também pode sair pregando por aí tentando convencer as pessoas que existe uma outra realidade, compartilhando tudo que recebe nas mídias sociais, criticando as atitudes erradas, sendo um defensor da moral e dos novos valores, e principalmente  empunhando uma bandeira.

Mas muitos também já fazem isso e parece que não dá muito resultado, pois as pessoas absorvem muito pouco daquilo que não experimentaram e passam  as coisas adiante sem conhecimenro real.
Um camelo também faz isso, passa 40 anos transportando mostarda no deserto e não entende nada de mostarda.

Alem disso, as pessoas que não aceitam estas novas ideias se fecham ainda mais para se se proteger.  E tudo que conseguimos desta forma é isolar ainda mais os ignorantes, favorecendo a criação de grupos  que se julgam melhores que os outros e com isso ampliar as disputas que ficam cada vez mais acirradas, com mais gente de cada lado do muro.

Talvez a melhor forma de ajudar as pessoas seja agir discretamente, com compaixão, sabedoria, determinação e paciência, sempre disposto a mostrar as pessoas sua visão através do seu exemplo e de forma simples e acessível a todos.

Para isso primeiro será necessário aprender a "construir pontes" que ligam os dois mundos, caminhar com elas, ensinar como se faz respeitando seu ritmo de aprendizado,  sabendo tolerar suas esquisitices enquanto elas aprendem, evitando julgar e criticar.

Nem mesmo derrubar os muros é bom, porque esta é a melhor receita para instalar o caos, como vem sendo feito por aqueles que acreditam que tem a solução para o problema da humanidade sem respeitar as leis de merecimento.  Colocar as pessoas em um patamar onde elas não estão preparadas para se manter é pior do que deixá-las no chão, porque o tombo e o sofrimento delas será maior.

O mestre  caminhou com as pessoas, bebeu vinho com elas, participou de festas e até dançou com elas, sentava na mesa, comia a comida que  elas serviam e falava a língua dos homens.
Por isso ele foi aceito e pode conduzir e ensinar multidões. Era isso que ele queria ensinar aos sacerdotes Judeus, a linguagem do amor em ação. Não somos como ele, mas podemos aprender o que ele ensinou.

Mas ser um arquiteto e ao mesmo tempo operário na construção de uma  nova realidade requer que primeiro você seja o arquiteto de si mesmo, que domine suas emoções e seus pensamentos, que seja capaz de ter paciência e tolerância, que confie nas leis universais e acima de tudo tenha muito amor e compaixão.

Mas fique certo que se você decidir por este caminho nunca estará sozinho, pois se unirá aos sábios mestres que ha milênios trabalham pacientemente para despertar a humanidade.

Neste dia 11 de novembro sera um dia 33 porque 2018 também da 11. Então temos : 11+11+11 = 33
Penso que isso significa uma oportunidade para nos libertar das falsas crenças e penetrar na essência mais profunda das coisas. O 33 representa o sacrifício.

Mas isso tem que ser compreendido como o sacrifício de nossas vontades humanas e egoístas para aceitar a vontade sabia de Deus e do espírito.

O numero 11 simboliza  o despertar da consciência. Veja que se chega a este 33 através do 11 no dia no mês e no ano que são os três níveis de consciência.

Consciência plena das realidade física,
consciência de suas próprias emoções,
consciência de seus próprios  pensamentos.
E como resultado, uma consciência integrada com a vida e com as pessoas.

O crítico e o construtor

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Existem dois personagens muito interessantes que de alguma forma interferem  ou influenciam a vida das pessoas. Um deles é o critico e o outro o construtor ou arquiteto. Mas existe uma diferença fundamental entre eles, pois enquanto o crítico é capaz de apontar com detalhes as falhas alheias, o construtor é aquele que não apenas enxerga o problema, mas também está disposto a ajudar a construir uma nova realidade.

O crítico é o dedo que aponta para todos como um julgador implacável, gerando incomodo, desconforto e aborrecimento, que na maioria das vezes provoca reações desagradáveis nas pessoas. Ele não está interessado em colaborar com a solução, muito pelo contrário faz parte do problema porque com suas criticas aumenta a tensão. Ele não acredita que as pessoas possam modificar suas atitudes e simplesmente se torna um opositor ferrenho e chato.

O construtor observa as falhas alheias, mas entende que as pessoas vão precisar de tempo e muito esforço para mudar e ele está disposto a ajuda-las assim que elas estiverem prontas para isso. O construtor sabe que é preciso um longo caminho para transformar alguma coisa colocando pedra sobre pedra, degrau por degrau até que a obra ganhe nova forma.  Não adianta dar marretadas e derrubar o que existe sem que tenha um plano ou um projeto de construção. Então este mestre experiente na vida estará sempre disposto a ajudar aqueles que de fato estão dispostos a fazer esta transformação e lhe pedem ajuda.

O crítico é o dono da verdade e tem solução para tudo e para todos, acreditando que sabe a forma certa de fazer, e se as pessoas não fazem segundo sua crença e seus valores elas simplesmente as descarta e se poe a criticar.  Ele não respeita o direito que todos herdaram do Grande Arquiteto de construírem suas próprias vidas seguindo seus próprios caminhos, mesmo que a custa de erros e fracassos até que por si mesmas possam compreender a verdade e a justiça.


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O construtor pelo contrario, é um facilitador para aqueles que com ele convivem. Ele está sempre mostrando o caminho através do seu exemplo e da sua simplicidade, tratando com carinho e cuidado aqueles que insistem em permanecer no erro, mas jamais lhes apontando as falhas de forma contundente.  É como se ele dissesse para as pessoas em silencio. - Na hora que você precisar eu estarei aqui para lhe mostrar como eu fiz, e que deu certo para mim.

Mas na verdade o problema dos críticos é que eles tem grande medo da crítica, pois eles mesmos ainda não experimentaram o remédio que recomendam e não sabem como resolver seus próprios problemas. No fundo eles são os maiores críticos de si mesmos e como não reconhecem suas próprias fraquezas, vestem este personagem para consertar o mundo sem saber que o que precisam mesmo é consertar a si mesmos.

Um dia o critico também encontrará o arquiteto e se renderá a sua suave maneira de ensinar o caminho. Mas para isso ele precisa primeiro encontrar sua própria sombra... E isto é muito doloroso para para qualquer um, descobrir que aquilo que ele vê com tanta facilidade nos outros existe e
persiste dentre dele mesmo..

Mas todo arquiteto é paciente, doce e tolerante pois ele um dia também foi um crítico.
Então, qual destes você prefere ser ?

Saiba que ser um arquiteto ou construtor, embora seja compensador, dá muito trabalho, pois é um caminho muito estreito e sofrido, mas que leva você a se tornar a transformação que você quer ver no mundo.

Que tal começar agora ?


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Se gostou do texto fique a vontade para deixar seu comentário.

Meu amigo mestre


Queremos que as pessoas melhorem, sejam mais humanas e gentis , compreensivas e delicadas. Mas não ensinamos para elas como se faz.

Aqueles que não tem estes recursos internos  não sabem como fazer isso...

Ninguém aprende pelo discurso ou pela crítica.
A gente aprende quando um professor paciente e amoroso pega a nossa mão com o lápis e vai escrevendo junto com a gente.. que nos mostra paciente e gentilmente como se faz sem nos julgar.
E depois nos acompanha e nos incentiva a cada melhora...
Nunca deixamos de ser criança e precisamos sempre de bons mestres para nos ensinar algo que não sabemos...

Depois saímos por aí ensinando aquilo que aprendemos...
Muitas pessoas,

Muitas pessoas que eram agressivas e ignorante,  encontraram bons mestres que tiveram a paciência de ensinar e mostrar pelo seu exemplo como ser uma pessoa mais humana...

Levou tempo para aprender, mas agora estas pessoas são admiradas pela sua sensibilidade ...
Graças aos seus mestres...
E você ? Quando vai deixar de ser crítico(a) e se tornar um(a) mestre(a) para as pessoas....
Pitágoras nos fala sobre essa relação de aprendizado em um dos seus versos.
Elege amigo teu o que em virtude prima,
Vive come ele e dele te aproxima,
Mas se em te aconselhando, o teu amigo for um dia menos brando,
Perdão! Óh lei severa!
A justiça fatal as vezes prepondera"

Versos Áureos de Pitágoras
Veja também: O crítico e o construtor

quarta-feira, 2 de maio de 2018

O Adepto




Uma palavra simples mas que tem um grande significado.

Ninguém pode nos levar a aderir a alguma ideia ou valor. Nenhum livro, nenhum símbolo, nenhum discurso ...

Isso somente  surge da necessidade.

A necessidade nos leva ao esforço da caminhada que produz a experiência que enfim despertará a compreensão .

Durante a caminhada o aprendiz reconhece as pegadas dos mestres que por ali passaram. Suas palavras ganham agora novo sentido, como marcos do caminho que eles percorreram.

Enfim, o agora adepto, adquire a verdadeira compreensão e torna-se seu proprio mestre naquele assunto.

Ele agora sabe que todo esforço que fizer para para convencer a plateia será inútil, porque aprendeu que somente os que se esforçarem e colocarem os  pés na longa estrada terão um dia a chance de alcançar o sentido daquilo que ele já compreendeu.

Mas ele poderá apontar o caminho e guiar aqueles que como ele estiverem dispostos ao trabalho.

Texto enviado por um amigo do interior.

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domingo, 29 de abril de 2018

A mente da preguiça




A mente da preguiça lhe falará com intimidade, aconselhando-o como se fosse um verdadeiro amigo. Sussurrando em seu ouvido, atraindo-o, ela lhe promete prazer e satisfação sem nenhum esforço de sua parte. Mas, esta mente da preguiça jamais lhe diz que, para alcançar o que ela tem a lhe oferecer, você precisa desistir de tudo o que tem valor real e duradouro. Tudo isto é retratado na seguinte história:

Lelo Sempra e Tsondru Nyidpa eram dois irmãos que, não há muitos anos, viviam no Tibete. Chegada a hora de saírem pelo mundo em busca de sua fortuna, puseram-se a caminhar juntos. Lelo, o mais velho, era ótimo conversador e, frequentemente conseguia o que queria graças a essa habilidade.  Tsondru, embora não tão esperto quanto o irmão, era forte e de bom coração, disposto a trabalhar com afinco para atingir seus objetivos.

Enquanto viajavam, os irmãos muitas vezes caminharam vários quilômetros em silêncio. Durante essas jornadas, Tsondru planejou uma estratégia para realizar seu objetivo: Iria procurar trabalho numa cidade grande e economizar o suficiente para comprar sua própria loja. Por sua vez, Lelo passou horas em silencio sonhando com a vida agradável que almejava: uma vida cheia de riquezas, com muito conforto e amigos dedicados. Quando não estava sonhando com o futuro, Lelo caminhava quilômetros saboreando a lembrança de ocasiões felizes do passado. Ao compartilharem entre si seus pensamentos, Tsondru falava a Lelo de suas ambições, e Lelo dava a Tsondru conselhos sobre como realizar seus objetivos.

Era enorme o entusiasmo de Tsondru, sempre disposto a fazer o que precisava ser feito. Ao acamparem, a cada noite, era Tsondru que apanhava a lenha para o fogo e preparava o jantar, enquanto Lelo ajudava com observações como: “Se você juntar mais gravetos, o fogo aumentará e nosso arroz ficará pronto mais depressa”.  As recomendações de Lelo eram tão úteis que Tsondru nem percebia serem estas as únicas contribuições feitas pelo irmão.

Lelo, por sua vez, não deixava de levar em conta o espírito empreendedor e sempre bem-disposto de Tsondru e, aos poucos, percebeu que uma aliança lhe garantiria facilmente a realização de seus sonhos de uma vida abastada e folgada. Um dia, sugeriu a Tsondru:

- Quando chegarmos a cidade, irmão, vamos ficar sócios num negócio; juntos certamente seremos muito bem-sucedidos.

Tsondru refletiu sobre a proposta enquanto caminhavam e finalmente respondeu:
- Você é perspicaz e dotado de muito bom-senso. Creio que será uma decisão acertada trabalhar com você.

E assim firmaram o trato.

Chegaram por fim os irmãos a Shigatse, uma grande cidade tibetana, cheia de burburinho de tente tentando ganhar a vida. Decidiram ficar lá, e Tsondru imediatamente começou a pensar em trabalhar.

Lelo, porém, achou que precisava de tempo para conhecer melhor a cidade e investigar todas as possibilidades, antes de pôr mãos à obra.  Desse modo, Tsondru saiu sozinho e logo arranjou trabalho. Sua renda era suficiente para o sustento de ambos, mas não sobrava nada para economizar. Crendo que Lelo logo arranjaria trabalho, Tsondru sustentava o irmão com satisfação.

Dentro de pouco tempo, as maneiras afáveis e espirituosas de Lelo trouxeram-lhe muitos amigos e a pequena casa que compartilhava com Tsondru não raro se enchia de gente. A cerveja jorrava em abundancia e as conversas eram animadas.

Tsondru trabalhava bem e em consequência o patrão o aumentou, mas as despesas com as festas do seu irmão consumiam toda a renda.

Vez por outra, um dos amigos dos irmãos chamava Tsondru a parte e lhe mostrava delicadamente que Lelo pouco contribuía em suas vidas.

- Será que ele vai encontrar trabalho? Perguntava o amigo. Quais são os planos dele?
Essas perguntas deixavam Tsondru confuso e ansioso, mas defendia o irmão dizendo:

- Lelo precisa de tempo para encontrar uma posição que seja boa de verdade. Além disso estamos sempre rodeados de boa companhia.

E quando Tsondru questionava Lelo sobre o assunto ele sempre conseguia acalmar Tsondru com suas belas e sabias palavras.

Pouco tempo depois o patrão de Tsondru entrou em dificuldades financeiras e teve que obrigado a encerrar seus negócios e despediu Tsondru.

Pensativo, Tsondru sentou em uma casa de chá para refletir. Enquanto estava perdido em seus pensamentos, um jovem aproximou-se e perguntou se podia compartilhar sua mesa. Tsondru ofereceu o lugar ao rapaz e perguntou seu nome.

- Chamo-me Gewa Chskyi e acabo de chegar a Shigatse.  Tenho planos de encontrar um trabalho e economizar dinheiro suficiente para abrir um pequeno negócio.

Os olhos do jovem brilhavam, sua personalidade era dinâmica e cheia de entusiasmo. Era fácil perceber que ele certamente conseguiria atingir seus objetivos. Seu entusiasmo certamente contrastava com o vazio e a melancolia que enchiam o coração de Tsondru.

Então Tsondru se deu conta que havia perdido uma preciosa oportunidade. Exatamente como o Jovem Gwa, tivera grande ambição e ansiara por ter seu próprio negócio, pelo êxito no trabalho e pela satisfação e contentamento que seus esforços lhe trariam.

Por alguma razão, porém, as coisas não saíram como ele planejara. Ali estava ele, sem emprego, não era mais jovem e tinha realizado pouco em sua existência.

Quanto mais refletia, mais compreendia que a influência de Lelo se achava na raiz do seu vazio. Lelo prometera contribuir muito, mas na verdade, apenas tomara tudo de Tsondru. Pouco a pouco fora consumindo o tempo e a energia de Tsondru, minando os seus planos de vida.

Voltando para Gewa, Tsondru lhe disse:

- Quero lhe dar um conselho: Não sei onde você pode encontrar trabalho, mas encontre-o depressa e trabalhe com afinco. Não deixe que a palavra dos outros o afaste do seu objetivo. Se insistirem para você aumentar seu tempo de folga, ou disserem que você trabalha demais, não de ouvidos – não são bons amigos. Em vez disso, ouça seu coração e seu objetivo, siga o que ele diz. Depois, quando chegar a minha idade, você estará mais do que contente – sua vida será plena e rica, e seu coração orgulhoso e confiante. Mesmo que você perca a riqueza que conquistar, ainda assim irá prosperar porque possuirá o tesouro da satisfação profunda e da apreciação da vida.

Despedindo-se do rapaz, Tsondru tomou a decisão de conversar seriamente com seu irmão Lelo.  Diante de Lelo Tsondru contou que perdera o seu emprego e se dera conta que já não eram mais jovens e cheios de vigor e que a vida que levavam não lhes daria realmente nada. Contou que decidira deixar Lelo e seguir sozinho sua vida, pois ainda lhe restavam forças para trabalhar e recomeçar seus planos.

Lelo então tomou-se de raiva e acusou Tsondru de traí-lo e abandona-lo para buscar seus objetivos de forma egoísta.  Acusou o patrão de Tsondru e pôs a culpa em tudo e em todos, mas não levou em conta que foi sua própria preguiça a origem de todos os problemas.

Tsondru partiu e se estabeleceu em outra cidade. Em poucos anos havia poupado o suficiente para abrir seu próprio negócio com o qual tanto sonhara e em breve tempo tornou-se prospero e bem considerado. Enquanto isso, Lelo passou o resto de sua vida perambulando de cidade em cidade, contando histórias nas tabernas, em troca de alimento e companhia.

Na língua Tibetana, a palavra Lelo significa Preguiça, e Tsondru significa Vigor. Ambas as qualidades são inatas em todos nós, cabendo-nos escolher qual delas iremos cultivar em nossa vida cotidiana.

A mente da preguiça finge ser nossa amiga, oferecendo-nos conforto e prazer; na verdade, porém, vá aos poucos consumindo os sonhos que nos são mais caros, oprimindo-nos tanto que mal conseguimos nos mover.

Ela é o maior obstáculo no nosso progresso espiritual. Quando nos aprontamos para o trabalho, a mente da preguiça diz-nos para esperar, descansar um pouco, ou fazer uma outra coisa, pois haverá tempo mais tarde para tal atividades. Essa mente parece sempre sensata e, como Tsondru, podemos ser hipnotizados pela sua “logica da preguiça”.

Mas podemos dar as costas a preguiça e ouvir a sabedoria de nossa natureza interior. Desenvolvendo a força e o vigor, perseguindo pacientemente nossos objetivos. Podemos resistir as tentações de Lelo.

Podemos nos propiciar a confiança que advém do uso produtivo de nossas energias. Quando nos desvencilhamos da mente da preguiça, não há limites para o que podemos realizar.



Extraído do Livro : A Mente Oculta da Liberdade - Tarthang Tulku


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Permitamos que a nossa Chama se torne um Sol Radiante

Nossa preocupação neste momento não deve ser apenas manter a nossa chama acesa, ou preservar aquilo que temos, mas sim permitir que  ela ...