sábado, 7 de novembro de 2015

Abelhas do invisivel



Estive pensando que somos pequenas partículas e carregamos valores do Uno Diverso.

Como disse Reich, somos abelhas do invisível loucamente levando o mel do invisível para o visível.

Nossas diferenças fazem a diversidade, e a vida se completa pelos relacionamentos entre os diferentes que se atraem pelo que o outro tem que lhe falta.

Observamos o mundo do nosso privilegiado e único ponto de vista e desejamos  compartilhar nossos valores com os demais de forma justa e equilibrada para conquistar parte de suas visões também únicas,  e assim nos completar em busca da unidade perdida.

Temos moedas valiosas que precisam ser descobertas e utilizadas  para continuarmos a participar deste jogo de trocas infinitas, e teremos maior sucesso se compreendermos a lei do equilíbrio que rege todo o universo.

No jogo da vida vemos pedras pretas e pedras brancas no tabuleiro, como se fosse possível separar o joio do trigo.

A forca que destrói é a mesma que constrói, o que separa é o que une, o que gera a cobiça é o que mantém a roda do progresso em movimento.

Sem a competição e o desejo de alcançar algo previamente vivenciado por outro, permaneceríamos na depressão da sarjeta. Mas como ainda não temos a sabedoria da simplicidade, surgem os sentimentos conflitantes como  paixão, ódio, inveja  ciume e tantos outros que embaçam nossa percepção.

A mesma força que gera o progresso leva a ambição, a cobiça e a inveja.

Somente os Iluminados pela unificação das realidades opostas estão fora do alcance  da dualidade do bem e do mal.

Como disse a Lisana, Mestre em numerologia, somos humanos e muito distantes ainda desta Unidade Pacificadora.

Mas já conseguimos ver os dois lados dentro e fora de nós se digladiando para vencer uma luta inexistente.

Resta-nos unifica-los.

Quando colocamos um alimento na boca, nossas papilas degustativas separam o doce do amargo, o azedo do salgado... e sentimos a diversidade do paladar.

Nossos olhos cerebrais separam a luz em espectro de cores e vemos o vermelho, o amarelo,  o verde, o azul...e a realidade se mostra em uma diversidade de cores e formas.

Nossos ouvidos cerebrais separam as vibrações e ouvimos o agudo, o grave o médio... e criamos uma diversidade de sons e melodias.

Então nossa mente atribui valores para cada uma destas experiências, medindo, pesando e armazenando para não perde-las.

Mas onde Guarda-las se só existem dois compartimentos cerebrais, o da esquerda e o da direita?

Então somos levados a separar e qualificar as experiencias em boas boas ou más,  fortes ou fracas, altos ou baixos, cheirosos ou fedorentos, bonitos ou feios, gostosos ou ruins, agradáveis ou desagradáveis, dentro ou fora, amigo ou inimigo..., e assim por diante, criando mundos que se contrapõem.

Como computadores, operamos com a linguagem binária de "zero ou um", mas nos comunicamos através da linguagem decimal, ambas limitadoras da diversidade.

Cada um de nos é um ponto único de uma matriz de combinações infinitas, e faz estas separações de forma diferente criando um mundo particular, uma visão única do universo.

Buscamos ao mesmo tempo esta imparidade que nos separa e a unidade que nos reconcilia.

E enquanto criamos nosso próprio mel, com cheiro, textura, cor e sabor diferenciados,  queremos provar o mel  das outras abelhas, porque somente a imparidade não nos apetece, pois somos ao mesmo tempo a abelha e a colmeia.


João Sérgio



4 comentários:

  1. Incrível, João. Hei de refletir muito para fazer jus a esse post tão inspirado e iluminador.

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  2. Que bom querida, é isso que devemos inspirar nas pessoas, o desejo de expandir suas consciências de si mesmas e do mundo ao redor.
    Bjs

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  3. Interessante essa comparação de dualidade , de conceito binário ou de classificação .
    Acho que sem perceber fazemos isso mesmo . Mas quem já consegue perceber e aceitar que tudo tem bem e mal , claro e escuro , ou seja quem já consegue escapar um pouco que seja da tal dualidade , começa a criar novas "pastas" no seu cérebro e abrir novas portas no seu coração .

    Penso que é um exercício diário de aceitação e amor . É um longo caminho o da evolução . Mas precisamos caminhar , sem pensar muito no final , e sim na jornada .

    Parabéns pelo belo texto .
    Abs
    Francisco

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    1. Sim Francisco, são boas também suas imagens de novas pastas no diretório dual de nossas mentes acostumadas a velha forma do certo/errado. Talvez por isso o preconceito seja tão comum na sociedade, talvez por isso as pessoas sejam presas fáceis para os manipuladores de imagens e mensagens de facilidades ou salvação.
      Se abrimos mão do direito à reflexão, perdemos nosso poder de perceber a diversidade.

      Obrigado pela sua participacao,
      Abs

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