sábado, 28 de maio de 2016

Projeções da Mente Cósmica




A holografia é uma técnica de armazenamento de informação desenvolvida pelo físico húngaro Dennis Gabor em 1947, e que lhe rendeu o prêmio Nobel de Física de 1971. Uma maneira de gravar um holograma é utilizar um feixe de luz coerente, como um raio laser, e dividir o feixe em dois componentes. O primeiro deles incide em um objeto tridimensional, e é refletido em direção a uma placa fotográfica. O segundo componente do feixe serve como “referência”, e interfere com o primeiro na chapa fotográfica. Após revelar a placa fotográfica, obtém-se o holograma. Para reconstruir a imagem do objeto, basta lançar sobre o holograma um feixe de luz.  Com isso o observador tem a ilusão de ver o objeto, sob um certo ângulo. Se o observador se movimenta, a imagem aparece sob nova perspectiva, criando a nítida impressão de um objeto tridimensional.

Cada ponto do filme holográfico recebe luz de todos os pontos do objeto. Nesse sentido, cada pequena região do filme bidimensional contém informação do objeto tridimensional como um todo, visto de uma certa perspectiva. Se um pedacinho do holograma for cortado, ainda sim se poderá ver a imagem completa do objeto no pedacinho. É nesse sentido que “o todo está contido em cada parte”, como é apresentado na coletânea de textos “Totalidade e Ordem Implicada”, traduzida para o português em 1992 pela editora Cultrix, com uma nova tradução lançada em 2008 pela editora Madras, do original em inglês de 1980.

O Misticismo Holográfico


Por volta de 1980 surgiu uma nova perspectiva ao misticismo científico, conhecida como o “paradigma holográfico”. Em 1982, o psicólogo Ken Wilber editou a coletânea “O Paradigma Holográfico” e em 1991 Michael Talbot publicou “O Universo Holográfico”, inspirados no pensamento do físico David Bohm que defendia uma nova interpretação da teoria quântica baseada na noção de “holomovimento”. Por outro lado, o psicólogo austríaco Karl Pribram apresentou nessa mesma época, sua teoria “holonômica” do cérebro, que propunha que o processamento de informação no cérebro é semelhante à holografia.

A ideia desenvolvida pelo psicólogo Pribram, é que a informação armazenada em nosso cérebro se organiza de maneira semelhante a um holograma, em camadas relacionadas. Assim, em uma certa camada do cérebro, uma minúscula região estaria conectada a uma extensa região de outra camada (por exemplo, da retina). Segundo essa teoria nosso acesso à memória e mesmo nossa consciência surgiriam de um processo semelhante à reconstrução de um holograma. Dessa maneira, Pribram explicava experimentos em que uma grande parcela do cérebro de camundongos eram extirpadas e ainda assim eles conservavam o grosso de sua memória. Detalhes desta teoria holonômica são apresentados no seu livro “Languages of the Brain”, de 1977.

O Cérebro Holográfico

A reunião das concepções de Bohm e Pribram levou ao “paradigma holográfico”, que Talbot resumiu da seguinte maneira:


“Nosso cérebro constrói matematicamente a realidade objetiva ao interpretar frequências que são, na verdade, projeções provenientes de uma outra dimensão, de uma ordem mais profunda de existência, que está além tanto do tempo como do espaço. O cérebro é um holograma envolvido num universo holográfico” (Talbot, 1992, p. 79)

A partir destas concepções de Bohm e Pribram, Talbot interpreta as alegações parapsicológicas através do “paradigma holográfico”, incluindo a psicocinese em experimentos quânticos (Jahn & Dunne, 1987), transmissão de pensamento durante o sonho (M. Ullman, 1987), curas milagrosas de câncer por meio de técnicas de mentalização (C. Simonton, 1980) e de milagres religiosos como o surgimento de estigmas e a liquefação do sangue de São Januário.

O “Paradigma holográfico” defende que todas as coisas do Universo estão interligadas, e que há níveis de realidade mais profundos, e que o mundo que percebemos como ordenado no espaço e no tempo é apenas uma construção mental. O interesse por esse tema parece ter aumentado nos últimos anos devido ao surgimento de uma nova ideia na cosmologia, conhecida como “princípio holográfico”, trazida pelo ganhador do prêmio Nobel holandês Gerardus ‘T Hooft (1993), em seus estudos sobre buracos negros, e foi desenvolvida por Leonard Susskind, no contexto da teoria das supercordas.

Um buraco negro surge do colapso gravitacional de uma grande estrela, e possui uma densidade tão grande que nem a luz consegue escapar da sua atração gravitacional. A ideia é que toda a física tridimensional de um buraco negro poderia se reduzir às duas dimensões de sua superfície. Em artigo divulgado na Scientific American Brasil de setembro de 2003, o mexicano-israelense Jacob Bekenstein concluiu da seguinte maneira:  “Esse resultado significa que duas teorias ostensivamente muito diferentes – que nem atuariam em espaços de mesma dimensão – são equivalentes. Criaturas que vivem em um desses universos seriam incapazes de determinar se eles habitam um universo de 5 dimensões, descrito pela teoria das cordas, ou um de 4 dimensões, descrito por uma teoria quântica de campos para partículas pontuais”.

Um outro aspecto intrigante da metáfora holográfica é uma possível relação das ideias de Geoffrey Shew de que as partículas subatômicas são dinamicamente compostas uma das outras, de tal modo que cada uma delas envolve todas as demais; a outra ideia é a noção de David Bohm de ordem implicada, de acordo com a qual toda a realidade está envolvida em cada uma das partes. O que todas estas ideias têm em comum é a noção de que a “holomonia” pode ser a uma propriedade universal da natureza.

Entre os místicos ocidentais, aquele cujo pensamento mais se aproxima da visão do misticismo cientifico é, provavelmente, Pierre Teilhard de Chardin, que além de sacerdote jesuíta, era também um eminente cientista, e ofereceu importantes contribuições para a geologia e a paleontologia. Ele tentou integrar seus insights científicos, suas experiências místicas e doutrinas teológicas numa cosmovisão coerente as ideias da evolução de sua época. A teoria da evolução de Teilhard de Chardin está em acentuado contraste com a teoria neodarwinianas, mas apresenta algumas notáveis semelhanças com a teoria de sistemas. O que ele chamou de “lei da complexidade e consciência”, enuncia que a evolução se desenrola na direção de uma crescente complexidade, e que esse aumento de complexidade é acompanhado por uma elevação do nível de consciência, culminando na espiritualidade humana. Teilhard usa o termo “consciência” no sentido de percepção consciente, como o “efeito específico da complexidade organizada”, perfeitamente compatível com a concepção holográfica da mente. Neste sentido, podemos deduzir que o processo inverso também acontece, ou seja, a medida que o ser busca uma maior integração é necessário, portanto uma simplificação e síntese.
  
Psicologia Transpessoal


Na mesma linha, parte desta visão tem sido incorporada pelos seguidores da psicologia de Carl Jung, que veem no “inconsciente coletivo” uma manifestação da ordem implicada que se tornaria explícita nas manifestações culturais e psicológicas dos diferentes povos humanos.
Neste sentido, Talbot dá destaque para Stanislav Grof, psiquiatra que tratava seus pacientes usando LSD, e que explica os estados alterados de consciência e seu alegado acesso ao inconsciente coletivo e a vidas passadas por meio do paradigma holográfico. Grof participou da criação do movimento da “psicologia transpessoal” juntamente com Abraham Maslow, Wilber e outros, no início dos anos 1970, que explora a dimensão espiritual da psicologia humana, ou seja, aquela que transcenderia os limites do indivíduo.

A visão mística da consciência baseia-se na experiência da realidade em formas não-ordinárias de consciência, as quais são tradicionalmente alcançadas através da meditação; podem ocorrer espontaneamente no processo de criação artística e em vários outros contextos. Os modernos psicólogos passaram a chamar de “transpessoais” as experiências incomuns dessa espécie, porque parecem permitir a mente individual estabelecer contato com modelos mentais coletivos e até cósmicos.

Talbot acredita que quanto mais estudamos o mundo vivo, mais nos apercebemos que a tendência para a associação, o estabelecimento de vínculos, a cooperação, é uma característica essencial dos organismos vivos. Lewis Thomas observou: “Não temos seres solitários. Cada criatura está, de alguma forma ligada ao resto e dele depende” (pag. 272)

A estrutura em múltiplos níveis dos organismos vivos, tal como qualquer outra estrutura biológica, é uma manifestação visível dos processos subjacentes de auto-organização. Em cada nível existe um equilíbrio dinâmico entre tendências auto afirmativas e integrativas, e todos os holons atuam como interface e postos de revezamento entre os vários níveis sistêmicos em um sistema hierárquico.

Projeções da Mente Cósmica


No livro O Homem, Deus e o Universo, I.K.Taimini usa a figura de um prisma para explicar o fenômeno da Projeção da mente cósmica no plano da manifestação. Ele explica que a luz branca ao atravessar o prisma diferencia-se em um espetro de múltiplas cores, e que embora a luz se diferencie em uma diversidade de cores ela não perde a sua unidade natural. Experiências comprovam que da mesma forma, se colocarmos um outro prisma recebendo esta multiplicidade de cores, o que se terá do outro lada desta vez, será novamente a luz branca. Desta forma, se fosse possível a alguém ver apenas um dos lados do prisma, teria a sensação da inexistência do outro. Para aquele que conheça apenas o mundo das cores, a ausência delas pode ser interpretada como trevas, entendendo-se trevas como a ausência de cores, enquanto que a luz branca é a presença de todas as cores numa forma integrada.

Taimini compara esta diversidade de cores com o mundo manifesto e explica que a Mônada, oriunda do mundo da luz branca precisa desta diversidade para adquirir conhecimento e experiência. Devemos deixar o mundo das sombras se desejamos conhecer a realidade que o produziu, abandonar o reino da mente a fim de conhecer a consciência, abandonar o mundo da relatividade para conhecer o Absoluto, desde que isso seja possível.

Ele afirma que o reverso desta proposição pode responder à questão de porque a Mônada tem que descer aos mundos inferiores a fim de adquirir a experiência necessária a seu misterioso desenvolvimento. Vivendo no seio do pai, no domínio da “luz branca”, ela deve descer ao mundo da manifestação onde pode encontrar as “cores” obtidas pela diferenciação desta luz. E para isso precisa construir os mecanismos apropriados a descida e experiência nestes planos inferiores.

No capítulo III, o autor descreve os planos de descida da Mônada para penetrar na realidade dos mundos inferiores. Em cada plano de atuação ela adquire uma nova frequência de vibração e uma consciência, sem, contudo, perder sua unidade. Ele explica que todo o mecanismo vivo é guiado e controlado por uma unidade de vida ou consciência, seguindo um padrão uniforme e pré-determinado em seu crescimento e desenvolvimento e modos de expressão, e que um microcosmo é uma unidade menor da mesma espécie, mas em estado não desenvolvido. Esta unidade contém, em forma potencial, todos os poderes e capacidades que podem ser desenvolvidos, assim como uma semente que contem em si o potencial da futura planta, mas precisa de um ambiente propicio ao seu desenvolvimento.

O Homem e seus Corpos

No livro “O homem e seus corpos”, Annie Bessant, descreve sete corpos do ser humano, que são o físico, astral, mental, Causal, Budhico, Átmico e Adi.

CORPO FÍSICO - Começando pelo corpo físico ela diz: “Sob a denominação de "corpo físico" devem incluir-se os dois princípios inferiores do homem, que na linguagem teosófica chamamos Sthula-Sharita e Linga Sharita. Ambos funcionam no plano físico; ambos são compostos de matéria física e formados para um período de vida física, e ambos são abandonados pelo homem físico quando morre e desintegram no mundo físico quando o homem segue para o astral. ”

CORPO ASTRAL – “Por ser o corpo astral o veículo da consciência kâmica do homem, constitui a sede de todas as paixões, de todos os desejos animais; é o centro dos sentidos, donde, como já dissemos, brotam todas as sensações. Ao contato dos pensamentos, vibra e muda constantemente de côr; se o homem se encoleriza, são dardejados raios vermelhos; se se sente apaixonado, as irradiações tingem-se de uma cor-de-rosa suave. Se os pensamentos do homem são nobres e elevados, necessitam de matéria astral sutil para lhes corresponder; a ação destes pensamentos sobre o corpo astral manifesta-se então pela eliminação das partículas grosseiras e espessas de cada sub-plano e pela aquisição de elementos mais delicados. ”

O CORPO MENTAL- Quanto ao Corpo Mental Inferior ela diz que este veículo da consciência humana se compõe dos quatro sub-planos inferiores do Devachân, aos quais pertence. Constitui o veículo especial da consciência nessa região do plano mental, mas a par disso também trabalha no corpo astral e através dele no físico, produzindo tudo o que chamamos manifestações da inteligência no estado normal de vigília. Quando se trata de um homem pouco evoluído, este corpo não pode, durante a vida terrestre, funcionar separadamente como um veículo da consciência no seu próprio plano, e quando este homem exerce as suas faculdades mentais, é necessário que estas se revistam de matéria astral e física, para que ele adquira a consciência da sua atividade.

O CORPO CAUSAL, MENTAL ABSTRATO OU SUPERMENTAL – “Damos-lhe este nome em virtude de nele residirem todas as causas cujos efeitos se manifestam nos planos inferiores. Este corpo é "o corpo de Manas", o aspecto "forma" do indivíduo, do verdadeiro homem. Constitui o reservatório, onde todos os tesouros do homem se acham acumulados para a eternidade e vai-se sempre desenvolvendo mais e mais, à medida que a natureza inferior lhe transmite coisas dignas de nele serem incorporadas e onde são assimilados todos os resultados duráveis da atividade humana. É nele que se acham armazenados os gérmens de todas as qualidades, a fim de serem transmitidos à próxima encarnação; portanto, as manifestações inferiores dependem inteiramente do progresso e do desenvolvimento deste homem "cuja hora nunca soa".

OUTROS CORPOS – “Ainda podemos nos elevar mais um passo; porém esta região é tão sublime que até mesmo à nossa imaginação se torna quase inacessível, pois o próprio corpo causal não é tudo quanto há de mais elevado e o "Ego Espiritual" não é Manas, mas, sim, manas unido a Búddhi, por ele absorvido, designado às vezes pelo nome de Turiya ou plano de Buda. Neste plano, o veículo da consciência é o corpo espiritual, o Anandamayakosha, ou corpo de bem-aventurança, para o qual os iogues podem passar, a fim de gozarem da eterna bem-aventurança e conceberem a Unidade fundamental que passa a ser um fato da experiência direta, em vez de se restringir a uma crença intelectual.

O Supermentalismo

No que tange ao Plano Supermental, vale ressaltar que o termo “Supermentalismo” foi registrado em cartório pelo médico psiquiatra Dr. Gérson de Paula Lima, fundador em 1926 da Sociedade Supermentalista Tattwa Nirmanakaia, inspirado por Antônio Olívio Rodrigues, que em 1909 havia fundado a primeira ordem Esotérica no Brasil, o Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento. O termo é uma adaptação do “Super Consciente” de Loureço Prado, ou da “Super Consciência” de Swami Vivekananda. Outro que usa este termo é Ramacharaka, (pseudônimo de William Walter Atkinson).  Possivelmente Vivekananda tenha sido um dos primeiros a usar este termo, "superconsciousness", "superconscious", e sem dúvida o grande propagador desta forma de pensar, que é uma adaptação da linguagem da Yoga para um contexto ocidental (primeiramente no inglês). Tanto Antônio Olívio como o Dr. Gerson foram profundamente influenciados pelos pensamentos de Swami Vivekananda e Eliphas Levi no final do século anterior.

Segundo Lourenço prado, Eliphas Levi foi o primeiro a ousadamente, unir a ciência aos mistérios da Antiguidade e escavar as profundezas do Santuário trazendo à luz do dia, as figuras do simbolismo hierático, lançando luz em pleno fanatismo do século XIX. Eliphas Levi é considerado o grande mestre da magia, pelo seu trabalho de decodificação e simplificação das ciências secretas até então descritas em linguagem complexa e de difícil acesso. No livro “Dogma e Ritual da Alta Magia”, ele afirma: “A Magia é a Ciência tradicional dos segredos da Natureza que nos vem dos Magos... A ciência e a religião estão em vésperas de se unirem e de se abraçarem para sempre...Os paradoxos opostos se refutam uns pelos outros, e, semelhantes às oscilações de um pêndulo, que tendem sempre, restringindo-se, para o centro de gravidade, os movimentos contrários são apenas aparentes, e as verdadeiras tendências da Humanidade se acham sempre na linha reta do progresso.” E no Livro A História da Magia afirma ainda:  “A Harmonia resulta da analogia dos contrários".

A dança dos Relacionamentos

Por sua vez, do lado acadêmico, Karl Pribram confirmou a importância das frequências e do ritmo na percepção, propondo que a percepção visual é obtida através de uma análise de modelos de frequência, e a memória visual é organizada como um holograma.  Pribram acredita que isso explicaria porque a memória visual não pode ser localizada com precisão dentro do cérebro.

O papel crucial do ritmo não está limitado a auto-organização e à auto expressão, mas estende-se à percepção sensorial e à comunicação. Quando enxergamos, nosso cérebro transforma as vibrações de luz em pulsações rítmicas dos seus neurônios. Transformações semelhantes de modelos rítmicos ocorrem no processo auditivo, e até a percepção do odor parece estar baseada em “frequências ósmicas”.

Tal como no processo de percepção, o ritmo desempenha um importante papel nas várias maneiras como os organismos vivos interagem e se comunicam entre si. A comunicação humana, por exemplo, tem lugar, em grau significativo, através da sincronização e da interligação de ritmos individuais.

Recentes analises de filmes mostraram que toda conversação envolve uma dança sutil, e em sua maior parte invisível, em que a sequência detalhada de tipos de fala é praticamente sincronizada tanto em movimentos ínfimos do corpo do locutor como os momentos correspondentes do ouvinte.

A moderna PNL chama isso de Rappor, onde ambos os parceiros estão perfeitamente sincronizados em movimentos rítmicos, que enquanto permanece, une ambos em uma sintonia como se fossem uma unidade. Um entrelaçamento semelhante de ritmos e conexões parece ser responsável pela forte vinculação entre os bebes e suas mães e, muito provavelmente entre as pessoas apaixonadas. Por outro lado, a oposição, a antipatia e a desarmonia surgem quando os ritmos de dois indivíduos são quebrados e não estão mais em sintonia.

A palavra “Rapport” tem origem no termo em francês rapporter que significa "trazer de volta". O rapport ocorre quando existe uma sensação de sincronização entre duas ou mais pessoas, porque elas se relacionam de forma agradável. A nível teórico, o rapport inclui três componentes comportamentais: atenção mútua, positividade mútua e coordenação. Importante no estudo e identificação de várias manifestações comportamentais, o rapport pode ser usado no contexto de relacionamentos pessoais ou profissionais. Esta técnica é muito útil, porque cria laços de compreensão entre dois ou mais indivíduos.

Podemos concluir que, de acordo com a visão holográfica, seria possível então estabelecer rapport ou sintonia não apenas com uma pessoa ou um grupo, mas com toda a natureza, uma vez que somos parte de um todo coerente.

A Unidade Pacificadora


Fritjof Capra afirma no seu livro “O Ponto de mutação”: “Em raros momentos de nossas vidas, podemos sentir que estamos sincronizados com o universo inteiro. Esses momentos podem ocorrer sob muitas circunstancias como acertar um golpe perfeito no tênis ou encontrar a descida perfeita em uma pista de esqui, em meio a uma experiência sexual plenamente satisfatória, na contemplação de uma obra de arte ou na meditação profunda. Esses momentos de ritmo perfeito, quanto tudo parece estar exatamente certo e as coisas são feitas com grande facilidade, são elevadas experiências espirituais em que todo tipo de separação ou fragmentação é transcendido. ”

Mas talvez o que leve uma pessoa a buscar uma sintonia e harmonia com outra, seja a sua compreensão, mesmo que ainda inconsciente da interdependência de todos os seres e a percepção da reciprocidade que aquilo que oferece aos outros de alguma forma deverá retornar a ela mesma.


O Amor Ágape

A palavra “Ágape” foi um termo muito utilizado pelos escritores cristãos, e aparece bastante nos textos do Novo Testamento, onde há muitas definições e exemplos de ágape, o amor filial, o amor entre os cônjuges, e o amor de Deus para com todos os seres.  Nos Mandamentos, o termo aparece no começo de cada sentença: Amar (ágape) a Deus sobre todas as coisas. No Sermão da Montanha o termo também é referido desde a primeira sentença.

Mas o autor do livro “O Monge e o Executivo”, James C. Hunter, falando através do personagem Irmão Simeão (um frei beneditino), explica que esse tipo de amor não é necessariamente um sentimento, mas sim um comportamento e que Jesus se referia a ele quando aconselhava aos discípulos a Amar seus inimigos e tratar as pessoas como gostaria de ser tratado. Ele amou seus discípulos com este amor ágape e lhes disse: “Amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado”

Osho afirma em seu livro “ Compaixão, o florescimento Supremo do amor” que Gautama Buda criou uma linha divisória entre a meditação e a compaixão, porque na Índia a meditação era suficiente para a iluminação do ser. Buda ensinava a compaixão antes mesmo da iluminação, porque segundo ele, se a pessoa ficar muito extasiada em si mesma, até a compaixão vai parecer um obstáculo para a sua alegria e vai ser um tipo de perturbação em seu êxtase. Por isso existem centenas de pessoas iluminadas, mas poucos mestres. Gautama Buda não é só um ser iluminado, ele é um revolucionário iluminado. A preocupação dele com o mundo e com as pessoas é imensa. Ele ensinava a seus discípulos que, quando você medita e sente o silencio, serenidade, uma alegria profunda, não deve guardar isso só para si; ofereça ao mundo todo. E não fique preocupado, pois quanto mais você der, mais será capaz de dar.

Paulo define este amor em carta aos coríntios da seguinte forma: “O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará; porque, em parte, conhecemos e, em parte, profetizamos. Quando, porém, vier o que é perfeito, então, o que é em parte será aniquilado. Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino. Porque, agora, vemos como em espelho, obscuramente; então, veremos face a face. Agora, conheço em parte”; então, conhecerei como também sou conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor. ” 

Coríntios I, cap. 13; vers. 1 a 13

O texto nos fala que a vida é pura projeção. O Ente não pode ver a si mesmo, por isso projeta-se no espelho do mundo, de formas e pessoas. "E Deus criou os céus e a terra e viu que era bom..." Somos projeções da mente cósmica, microcosmos vivos, criamos nosso próprio mundo e nos projetamos nele para nos reconhecermos. E pelos relacionamentos "vemos que é bom, ou que é ruim", que nos agrada e que nos desagrada. Pelo que compreendi, não podemos nos enxergar olhando para nós mesmos, a unidade é uma miragem. O Uno esta projetado no Diverso e para encontra-lo precisamos amar a diversidade. Buscar o uno na unidade seria uma utopia. Talvez Por isso Buda insistia no aprendizado da compaixão antes da iluminação. E Jesus ensinou o amor acima da lei. Mas não um amor teórico, um sentimento apenas, mas sim um comportamento, uma pratica em favor do mundo, que se aprende na medida que se realiza, e que na medida que se experimenta a consciência se expande. Não como uma caridade, mas um ato de sabedoria. Penso que significa que não podemos amar a Deus, sem amar aos homens.

Acho que era isso que Paulo estava falando aos coríntios.

"Porque, agora, vemos como em espelho, obscuramente; então, veremos face a face. Agora, conheço em parte”; então, conhecerei como também sou conhecido" .... "



Fontes :

O Ponto de Mutação – Fritjof Cappra
O Homem, Deus e o Universo – I.K.Taimini
O Homem e Seus Corpos – Annie Bessant
Fundamentos de Teosofia – C.Jinarajadasa
Compaixão – O Florescimento do Supremo Amor – Osho
O Monge e o Executivo”, James C. Hunter
Dogma e Ritual de Alta Magia – Eliphas Levi
http://www2.uol.com.br/vyaestelar/universo_holografico.htm
http://community.livejournal.com/ref_sciam/1190.html
http://www.tattwa.org.br
http://paxprofundis.org/livros/levy/levy.html


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Um comentário:

  1. A evolução consciente começa com o processo que conduz o homem ao conhecimento de si mesmo. Estou falando da evolução ativa, fecunda e positiva, não da lenta e passiva, que arrasta os seres humanos para um destino comum.
    Somente conhecendo nossa organização psicológica e mental poderemos dirigir com acerto nosso processo de evolução. O esforço na intensificação desse conhecimento nos conduzirá ao melhor aproveitamento das energias e ao aguçamento de nossa percepção interna, uma vez que nenhum aspecto ou detalhe da vida interior haverá de passar inadvertido à observação perseverante e consciente. Isto nos ajudará a aperfeiçoar tudo o que seja aperfeiçoável em nós, o que implicará, além de um maior acúmulo de conhecimentos, um avanço real na evolução.
    Os processos de criação se pronunciam seguindo uma ordem perfeita, tanto em suas manifestações visíveis como nas invisíveis, de modo que obedecendo ao Plano Supremo preexistente, cumprem-se com maravilhosa exatidão. Desde os tempos remotos até os nossos dias, a Terra, com sua atmosfera e seus mares, cumpriu processos de adaptação à vida animada, como também o homem em sua adaptação às necessidades de uma civilização cada vez mais avançada. Esses processos da criação, estudados do ângulo das projeções humanas e para a própria orientação do indivíduo, oferecem possibilidades no aprendizado ao processo de evolução consciente. A pretensão científica levou o homem a estudar nos outros o que deveria descobrir dento de seu mundo interno. Essa cômoda posição de avaliar os pensamentos dos semelhantes, sem se preocupar em indagar, seriamente, a respeito de quanto ocorre em cada recanto do próprio ser pensante e sensível, interpôs uma espessa cortina de fumaça entre as possibilidades e os anseios humanos de superação. Fica estabelecido que aquilo que até agora se manteve em abstração, aquilo que permaneceu inacessível à aspiração humana, é hoje uma realidade de todo modo alcançável.
    Texto adaptado de Carlos Bernardo González Pecotche.

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