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A seis graus do paraíso


A teoria dos Seis Graus de Separação originou-se a partir de um estudo científico desenvolvido pelo psicólogo Stanley Milgram, que concluiu que todos nós estamos distantes de qualquer pessoa por, no máximo, seis laços de amizade.     

    Com isso, alega a teoria que, podemos vir a manter um relacionamento com qualquer pessoa, desde que, entre nós, existam seis outras pessoas formando um ciclo de amizades.

    Dizer-se que estamos a seis graus de separação de qualquer pessoa ou lugar é um modo de afirmar que há conexão entre nós, através de seis etapas. 

    Se estou a seis graus do Paraíso, posso acessar o Paraíso, e os Anjos podem acessar-me, por estarmos conectados através de seis etapas de separação.

    E é por esse caminho que vou desenvolver a minha teoria, de que os Anjos podem estar mais próximos de nós do que possamos imaginar. E, ainda vou mais adiante, afirmando que eles estão, quase o tempo todo, bem juntos a nós. 

    Se unirmos o conceito de Paraíso com o da morada dos Anjos, a nossa conexão com a família angelical passa por relacionamentos diversos, sempre mediante a seis laços de amizade. 

    Se trouxermos essa teoria para a existência dos portais dimensionais, podemos considerar que os Anjos chegam a nós, por portais que conectam a nossa 3ª dimensão a outras dimensões, sempre através de seis graus de separação. 

    De acordo com estas teses, convivemos com seres multidimensionais, que atuam, simultaneamente, num mundo sutil e no nosso plano físico, com a mesma desenvoltura, sem, no entanto, poder interferir nas ações dos humanos. 

    Esta afirmativa é desconhecida por muitos religiosos, que reclamam de orar por ajuda dos Anjos, e não obter nenhuma forma de resposta. Eles teriam de ficar atentos a sinais e mensagens, jamais à espera de interferências no plano físico. 

    A respeito dessa particularidade, sobre os efeitos das nossas orações, a maioria desconhece que ninguém pode fazer o que só a nós cabe fazer. Nem Santos, nem Anjos, nem Mestres e, especialmente, Deus, todos estão inteiramente fora dessa esfera de influências. Esta é a Lei, à qual todos eles obedecem, mas que é desconhecida pelos humanos.

    É muito comum ouvir-se a lástima dos que sofrem, fazem promessas e esperam por um milagre, e ele não vem. Então, dizem que Deus não ouviu suas promessas, ou como um amigo responde para o outro, na música Amigo é pra essas coisas, quando ouve do amigo "Deus é bom", e responde "Mas não foi bom pra mim".


    Poucos aceitam o fato de não merecerem as conquistas sonhadas, a culpa é quase sempre de alguém, mas nunca, deles. E em suas defesas, são capazes de acusar Anjos, Santos e Deus, fazendo-se de um pobre coitado injustiçado. 

    Quem assistiu ao filme Os Agentes do Destino, há de se lembrar dos cuidados que esses Agentes tinham em não interferir nas decisões daqueles a quem seguiam para que cumprissem o roteiro dos seus destinos.

    O senador se desviava a todo momento do roteiro previsto, e com isso, levava com ele a bailarina. O senador tinha um futuro como presidente dos Estados Unidos e a bailarina como uma estrela internacional do balé clássico. Mas, o amor se interpunha, a todo instante, entre os sentimentos e as carreiras de cada um.

    Os Agentes ficavam loucos, cada vez que a rota traçada era ameaçada, o que ocorria cada vez que eles se reencontravam, depois de se separarem. Os Agentes ou Anjos podem criar situações favoráveis ao roteiro, mas não podem impedir que cada qual decida o seu futuro. 

    Em relação aos Anjos e ao amor devotado a humanos encarnados, eles são obrigados a abrir mão de sua eternidade, para se tornar um mortal como qualquer humano. Se abdicarem do direito à vida eterna para viver o seu amor na Terra, terão um tempo de vida, e morrerão como qualquer mortal. 

    Quem se interessar pelo tema, a sugestão é que assistam a dois belos filmes, Asas do Desejo, um filme alemão, e A Cidade dos Anjos com Nicolas Cage e Meg Ryan. Nesses dois filmes, os Anjos se apaixonam e trocam a imortalidade pelo amor, assumindo a condição de um simples mortal.

    Eu não posso imaginar nada mais sugestivo para exemplificar os seis graus de separação da Terra com o Paraíso, do que esses sentimentos que revelam quão próximos estão de nós os Anjos, e, consequentemente, nós, deles. 

    Lembremo-nos, porém, que para nos enxergarmos e nos tocarmos, precisamos abdicar de direitos e assumir os desafios do amor, com seus riscos e limites do tempo de amar. É exatamente isso que é cobrado dos Anjos. E, não será o mesmo que é cobrado de todos nós, quando buscamos consumar uma relação de amor?

    Os Anjos podem ajudar-nos a alcançar nossos ideais, mas não podem resolver os nossos problemas. Eles segredam em nossos ouvidos, põem pessoas em nosso caminho, despertam soluções para nossos problemas, mas somos nós que temos de tomar atitudes e correr riscos. 

    Se a oração ou o desejo vier a se consumar, ou, pelo contrário, fracassar, os únicos responsáveis somos nós, jamais os Anjos. Eles estão logo ali, no Paraíso, a seis graus de separação, aguardando um pedido para prestar ajuda, mas sem tirar das nossas mãos o pesado fardo que temos de carregar.

    Tudo parece tão difícil neste mundo! E dizer que estamos somente a seis graus de separação do Paraíso!  


Gilberto Gonçalves 


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