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A cultura devora a estrategia


"A cultura devora a estratégia no café da manhã"

Esta frase de Peter Drucker me levou a refletir sobre a importância da cultura para as organizações e o desafio dos líderes para implementar projetos de mudanças,  se não considerarem a cultura organizacional. 

Cultura é uma  palavra muito usada para descrever o comportamento de grupos e sociedades, pois ela é fruto de valores e crenças expressos e consolidados ao longo de anos. 

Somos atraídos para os grupos pelas nossas afinidades e valores e somos expulsos naturalmente de grupos que não temos tal afinidade,  e a cultura é a liga que une o grupo. 

Mas se o grupo deixar alguém entrar que não compartilhe totalmente de tais valores, e esta pessoa tiver força para atrair outros de sua semelhança, então o grupo corre grande risco de enfraquecer a cultura que unia a todos na mesma frequência.

Por isso a cultura do grupo vai crescendo lentamente a medida que atrai mais indivíduos que se sintonizam com aqueles valores. Uns se apoiam nos outros para dar consistência aos seus próprios valores.

Cada grupo forma assim um Feudo, uma cidadela, protegida por muros altos, e elege os mais vigorosos e coloca sobre eles a coroa, a espada e o escudo e dizem:  Este é nosso líder!  

O  líder tem o poder de coordenar e cuidar dos objetivos e estratégias, mas é o grupo que fala através dele expressando sua cultura.

Se olharmos em volta veremos estes diversos  feudos que constituem a nossa humanidade. São famílias, grupos sociais, empresas, entidades filosóficas, religiosas, políticas, governamentais, cidades, estados, países, e até a própria humanidade reunida forma uma cultura única.

Os indivíduos sempre estão ligados a diversos grupos, e funcionam como os neurônios condutores da energia que sustenta a cultura do grupo. Muitas vezes participamos de grupos com culturas diferentes, e assim temos a oportunidade de revelar em cada um deles uma parte dos nossos valores. 

Seremos atraídos por certas culturas enquanto existir necessidades internas, e uma vez esgotadas, elas perdem o poder magnético que exercia sobre nós. Nesse momento ocorre um ponto de ruptura, e naturalmente o indivíduo muda seu comportamento, abrindo a mente para perceber outras realidades.

Como vimos, na maioria das vezes a cultura é criada de forma espontânea pela atração mútua das pessoas com afinidades.  Mas existem grupos e organizações que formam desde o primeiro instante as bases para a criação de uma cultura estruturada que reflita a missão e valores desta organização, através de políticas, procedimentos e rituais que criam assim sua tradição.

Criar uma cultura é difícil, leva tempo e requer esforços concentrados e cadenciados, e isso normalmente exige a ação de líderes com grande poder de vontade, capazes de dosar  firmeza, determinação e consistência, trabalhando ao longo do tempo. Tais líderes são verdadeiros escultores ou arquitetos, que sabem estruturar suas ideias e atrair pessoas com habilidades para ajudar na construção de tal obra.

Mas se criar uma cultura já é um grande desafio, mais difícil ainda é mudar uma cultura existente, porque está impregnada na mente dos indivíduos, que a  transmitem uns para os outros e também para os seus sucessores. 

Olhando o momento atual da pandemia, percebemos que existe algo inesplicavel acontecendo, desfazendo a zona de conforto, levando algumas pessoas a mudar radicalmente em busca de formas de vida mais inteligentes e mais leves.  

Algumas pessoas enchergam estas dificuldades do momento como oportunidades para mudar e INOVAR, rompendo com crenças e tradições, e com isso conquistam um novo patamar de percepção.

Por outro lado, outras pessoas ficam presas nos velhos paradigmas, esperando tudo voltar para um velho NORMAL para retomar sua rotina antiga.  

As vezes nos parece que estamos vivendo uma espécie de "Holocausto" com a exterminação de muitas pessoas, agredindo nossa velha cultura humana e obrigando-nos a buscar outras formas de sobreviver. O problema é que desta vez o inimigo é quase invisível e não temos um líder para combater.

Alguns estudiosos acreditam que a Terra é um ser vivo que automaticamente se regenera de toda agressão sofrida e que esta pandemia seria uma reação natural do organismo vivo tentando se recuperar da "infecção causada pela raça humana"  Neste artigo, pesquisadores da UFRJ analisam seriamente a Hipótese de GAIA, que vê a Terra como um organismo vivo.

Será que este processo pode mesmo estar sendo controlado pela própria natureza para mudar a cultura de todo o planeta, levando algumas pessoas ao seu ponto de esgotamento e ruptura, a partir do qual elas percebem e praticam novos valores?

E se for assim, esperamos que estas pessoas que aderem a nova ordem, se tornem os novos lideres portadores do germe da nova cultura planetária que poderá trazer melhor qualidade de vida para o Planeta e seus habitantes.



João Sergio P. Silva 
7/04/2021

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