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Matemática no Jardim




Um dia Krishna recebeu a sua Iniciação e foi-lhe ordenado que destruísse o mal em todo o mundo. Tudo que ele ensinou está contido nos diálogos com o príncipe Arjuna, no Bhagavad-Gitã

O espírito não nasce,
E não deixará nunca de existir …

"A humanidade perde-se pela sua loucura, obscurecendo o conhecimento".

Recordemos a grande passagem da guerra entre famílias, quando Arjuna se insurgiu contra ter de lutar contra seus parentes e entes queridos, e que recebeu uma lição amarga de aceitar, mas que o tempo confirmou como legítima e que deve ser seguida, apesar das dores que pode nos causar. 

Diante de seus opositores no campo de batalha, e reconhecendo-os, muitos deles, como parentes por ele amados, Arjuna se dirige a Krishna, dizendo: "Embora estes homens tomados pela cobiça não vejam mal algum em matar a sua própria família ou em lutar com amigos, por que nós, que temos conhecimento do pecado, haveríamos de nos ocupar nesses atos?"  

E Krishna responde a seu discípulo: "Aquele que pensa que a entidade viva é a que mata ou é morta, não compreende. Aquele que tem conhecimento sabe que o eu não mata e nem é morto".     

E continuou: "Para aquele que nasce a morte é certa e para aquele que morre, o nascimento é certo. Por isso, no inevitável cumprimento de seu dever, você não deve se lamentar. Se, entretanto, você não lutar nessa guerra religiosa, então você certamente incorrerá em pecado por negligenciar seus deveres e assim perderá a sua reputação de guerreiro".

E concluímos o diálogo entre o Mestre e o discípulo com a seguinte frase de Krishna: "Lute por lutar, sem considerar felicidade ou tristeza, perdas ou ganhos, vitória ou derrota  - e agindo assim você jamais incorrerá em pecado". 

Com este pequeno trecho do Livro Sagrado dos hindus, o Bhagavad-Gitã, pode-se refletir a diferença entre os povos e os tempos, tradições e costumes que nos separam de épocas que pregavam a guerra como um ato sagrado, e que um Avatar recomendava a luta como um ato sagrado.

Muito tempo depois, o Cristo, o Avatar do Amor, vem pregar a paz e o amor, o valor do sacrifício de quem abre mão da luta em prol do amor ao próximo. 

Nunca tentem entender o mundo como uma entidade única, no tempo e no espaço, nem comparem os Mestres e Avatares, que surgiram através dos tempos. Cada qual, conforme a sua época e a tradição do seu povo, pregou uma doutrina própria, que não pode, e nem deve ser comparada com as demais. 





Um homem estava planejando criar  um jardim na frente de sua casa. Ele iria plantar 15 mudas e fazer uma espécie de cerca espalhando as mudinhas em uma forma retangular.

Para isso precisou de muita matemática até chegar ao espaço certo entre as mudas para ficar harmônico.  

Mas antes decidiu estender um barbante e colocar as mudinhas no lugar que iriam ficar sem enterrar, para ver se estava coreto.  

Para sua surpresa as distâncias entre as mudas não estavam exatas e então ele foi conferir as contas.  

Percebeu que seu erro foi desconsiderar a largura de cada muda, um erro de poucos centimetros , mas que multiplicado por 15 fazia uma grande diferença.  

Então refez as contas e foi corrigir as posições, começando de um dos extremos. A medida que ia corrigindo é que viu que quanto mais as mudinhas se distanciavam mais aumentava o erro.

A primeira estava com 4 centímetros de diferença, a segunda, herdava o 4 centímetros e adicionava mais 4 e ficava com erro de 8 cm, e assim por diante até que final dava um erro imenso...

Após verificar que as distâncias estavam corretas passou a fazer as covas bem largas e encheu de terra adubada e colocou as plantinhas em cada uma de depois regou.

Percebemos com esta história que as coisas sucessivas são dependentes umas das outras, e qua as que vem primeiro afetam os resultados seguintes. Em uma sequência um erro se multiplica de forma esponencial, formando uma cadeia de causas e efeitos.

As famílias são assim, herdamos as experiências e os erros dos nossos antepassados e acrescentamos os nossos próprios erros e experiências e passamos adiante. 

Por isso vezes precisamos corrigir as posições,  fazer uma poda ou arrancar a erva daninha para não comprometer o jardim. O adubo serve para dar uma terra fértil a mudinha até que possa criar raízes no terreno árido.

As reflexões do diálogo de Krishina com Arjuna podem se referir a esta necessidade de interromper esta sequência quando ela não é boa. 

Mas não são as pessoas fisicamente que precisamos lutar e matar, mas seus arquétipos ou influências que herdamos e estão morando dentro de nós.  

Talvez por isso Cristo aconselhou a não odiar tais inimigos, que projetamos nos outros, porque pode ser que na verdade estes inimigos estejam dentro de nós, e aqueles em quem enxergamos as falhas sejam apenas projeções nossas.

E quanto mais lutamos com eles, mais eles crescem dentro de nós e prejudicam nossa visão de nós mesmos.  


João Sérgio 




       

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